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Olha o céu!
A luz palmilha como um cego
os milhares de anos que nos separam
de estrelas que sequer existem.
O universo moe o infinito
em fragmentos de trigo
para um pão breve
estilhaços de velocidade
nas alvoradas beijadas por meus olhos lentos.
O futuro é o caos num aquário
galáxias trituram seus gases
no último suspiro por calor e lúmem
se contorcem em suas labaredas até virarem fetos
enquanto eu bóio no caldo incompreensível
desta fornalha
desesperado pela lógica do fogo-fátuo:
o escuro e o frio!
A eternidade
moinho de tempo.
Na imagem, as galáxias de Antennae fotografadas pelo Hubble. Poema composto em 2010 para o futuro "Livro das fraquezas humanas".