"Finalista do Prêmio Açorianos de Literatura 2004"

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Terça-Feira, 16 de Fevereiro de 2010

Olhos pasmos para o universo

Olha o céu!

A luz palmilha como um cego

os milhares de anos que nos separam

de estrelas que sequer existem.

 

O universo moe o infinito

em fragmentos de trigo

para um pão breve

estilhaços de velocidade

nas alvoradas beijadas por meus olhos lentos.

 

O futuro é o caos num aquário

galáxias trituram seus gases

no último suspiro por calor e lúmem

se contorcem em suas labaredas até virarem fetos

enquanto eu bóio no caldo incompreensível

desta fornalha

desesperado pela lógica do fogo-fátuo:

o escuro e o frio!

 

A eternidade

moinho de tempo.

 

Na imagem, as galáxias de Antennae fotografadas pelo Hubble. Poema composto em 2010 para o futuro "Livro das fraquezas humanas".


Marcadores: Poesia

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