"Finalista do Prêmio Açorianos de Literatura 2004"

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Domingo, 29 de Agosto de 2010

Escola Marcílio Dias - Torres - 27 e 28 agost0 de 2010

A ida à escola Marcílio Dias em Torres, onde estivemos na sexta-feira e no sábado palestrando e conversando com os alunos sobre o trabalho que realizaram com os livros “Vida fora da gangue” e “Bárbaros no paraíso”, foi, além de gratificante, cheia de surpresas.
 
As surpresas começam na chegada, quando encontro lá, trabalhando com alunos do ensino fundamental Marcelo Spalding, contista, estudioso das interações entre literatura e as novas mídias, autor, junto com Laís Chaffe do excelente “Minicontos e muito menos”, livro que, daqui a uns dias vamos falar por aqui.
 
Aí fomos para os encontros com a alunada. E foi impressionante ver o envolvimento dos alunos e professores com os livros. Uma das coisas que chamou a minha atenção foi a interdisciplinaridade. Os livros foram trabalhados nas aulas de Literatura, de Sociologia, de História e de Biologia. A partir de uma doença venérea contraída por um personagem, foram para a pesquisa sobre elas. Também relacionado com os livros foram estudadas drogas, imigração, xenofobia, racismo, roupas típicas. A partir do número de mortes, fizeram até gráficos sobre a mortalidade de personagens. Surpreendente!
 
  
 
Aí chegamos aos teatros que os alunos fizeram, às apresentações de slides, às músicas, aos poemas compostos sobre as histórias, aos cartazes espalhadas por murais pela escola inteira. Um luxo.
 
 
Na foto acima, a aluna Rafaela que cantou uma música baseada no livro "Bárbaros no paraíso" composta por ela e uma colega.
 
 
Nesta imagem de apresentação de slides, os aluno extrapolam o livro "Bárbaros no Paraíso " discutindo xenofobia e racismo, fazendo a veemente e necessária condenação destes preconceitos .
 
 Essa maturidade em discutir conceitos não vem de graça. Uma das minhas surpresas foi descobrir que a escola faz trabalhos trazendo autores gaúchos para a sala de aula há 28 anos. Qual escola faz isso há tanto tempo? É correto dizer que o educandário vê a Literatura como elemento fundamental para a agregação humana, como parte da filosofia para o desenvolvimento integral do ser humano, capaz de envolver a pessoa como um todo, criando profissionais que vejam que, além de suas profissões, há uma humanidade a ser construída.
 
 
 
Acima, um dos turnos de palestra. Ao final de cada etapa, composta pelas apresentações dos alunos sobre os livros mais palestra e perguntas, tínhamos ainda as sessões de autógrafos.
 
 
 
E não posso deixar de também chamar a atenção para outra surpresa. Numa das apresentações teatrais, fazendo o papel de um personagem "alemão" do livro, Gustavo Biehl, o aluno Douglas. Vestido a rigor, com a roupa típica da colônia alemã. O máximo!!
 
 
Um pouco de confraternização autor/leitores.
 
 
 Outra surpresa foi a presença, no sábado, da professora Carla Horn. Ela morou em Montenegro durante anos e agora vive em Torres. Veio prestigiar a palestra e as apresentações dos alunos da escola Marcilio Dias. À esquerda, na foto.
 
E quem organizou tudo isto, levando quase 600 alunos e colegas profesores a se envolverem até o pescoço com a Literatura, com o conhecimento, com o aprendizado e, mais bonito ainda, com a interdisciplinaridade? As professoras abaixo que sabem que a vida não é estanque; que tudo se relaciona com tudo e que a educação deve seguir este princípio básico da vida humana. Da esquerda para direita: Margarete Larrosa, Rosmeri Kunkel, Tatiana Branco, Maria Inês Rosa e Betina Oliveira.
 
 
 
A elas, a minha mais profunda admiração e agradecimento. Espero voltar um dia.
 
P.S. em 30/08/2010, 23h 37 min.
 
1. Conforme alerta a professora Rosmeri nos comentários, faltou dizer que Língua Portuguesa, Ensino Religioso, Geografia e Filosofia também fizeram parte da interdisciplinaridade que trabalhou os livros Bárbaros no Paraíso e Vida fora da Gangue.
 
2. Também faltou dizer mais especificamente que a música sobre o livro Bárbaros no Paraíso cantada pela intérprete Rafaela Ribeiro Pereira (na foto), foi composta por ela  e Marília Róldon.

Marcadores: Marcílio Dias, Torres

Sábado, 28 de Agosto de 2010

Antiético na campanha, que dirá no governo.

Poucas vezes na história moderna das eleições para presidente se viu um candidato tão antiético, tão baixo como José Serra. No programa de rádio coloca alguém com a voz de Lula pedindo votos para ele e falando mal de Dilma. Enganar ignorantes e incautos é uma tática do coronelismo. Mas na era da internet?
Parece que seu marqueteiro dilmou.
 
Esta semana foi no Clube da Aeronáutica falar com militares. Será que foi pedir um golpe? Não deixou a imprensa registrar o encontro. E fala e fala que Lula censura a imprensa. Imagine se ele pudesse ser presidente...
 
Sem contar as contumazes mentiras que agrega à sua campanha, pegando para si méritos de outros, como a lei dos genéricos, o seguro desemprego, entre outros.
 
Esta semana, o governo paulista do PSDB mandou as crianças limparem as escolas. Ensinar, nem pensar!
 
José Serra, economista (será verdade?) é muito raso nas suas intervenções. Para um homem que se diz tão preparado, olha, só fala abobrinha, o óbvio, o comum. Parece não ter dicurso, proposta, sentido para a existência.
 
Esta cara de pau, esta falta de vergonha na cara também se mostra na crítica ao governo Lula nas questões do Mercosul e na crítica às medidas tomadas por Lula para que a crise de 2008 nos afetasse o menos possível.
 
Lula demonstrou já no primeiro mandato que o Brasil estava mal porque o tucanato mandava dinheiro embora de graça. Como no caso das plataformas da Petrobrás que FHC mandava construí-las na europa e Lula trouxe as construções para a cidade de Rio Grande.
 
Esta visão só tem quem não quer vender o país. O PSDB é vendedor. O povo brasileiro, com Lula e Dilma é comprador. Principalmente comprador de suas próprias riquezas, de suas próprias possibilidades. Compra e paga!

Veja o vídeo e conclua por si mesmo.


Marcadores: Eleições, Serra, Dilma, Ética

Quinta-Feira, 26 de Agosto de 2010

Pegando a estrada

Cinco da matina desta sexta, 27, pego a estrada para Torres, mais especificamente para a Escola Marcilio Dias. Lá enfrentaremos quase 600 alunos que leram "Bárbaros no Paraíso" e "Vida fora da gangue" para um debate certamente profícuo e gratificante sobre ficção e Literatura.

Com encontros manhã/tarde/noite na sexta e também na manhã de sábado, as surpresas serão inevitáveis. É um mundo, a Literatura. Quanta vida nos proporciona por seus encontros, por suas trocas. Sem contar a alegria. Sem contar o sentido. Sem contar a paixão.

Durante a semana conto como foi.


Terça-Feira, 24 de Agosto de 2010

A morte que a vida anda armando, a vida que a morte anda tendo

Semana passada

meu pai me ameaçou de morte.

Mas ele  já me matou tantas vezes

tantas vezes morri por suas mãos

outras tantas por suas palavras

algumas vezes morri pelo que nem era comigo.

por solidariedade morri junto com quem ele matou.

E se já morremos tanto um para o outro

um pela mão de um

outro pela poesia de outro

por que ficar repetindo fato consumado?

Estou morto. Deixe-me chorar

desde meu túmulo

por uma música.

 


Marcadores: Boca Livre, Roberta Sá

Sexta-Feira, 20 de Agosto de 2010

Por que votarei em Dilma Rousseff

Não vamos deixar por menos. A baixaria de José Serra e do PSDB usando Lula no jingle, no programa de TV; as mentiras de Serra escondidas pela grande mídia que há de sucumbir pela qualidade da blogosfera, exigem resposta. A riqueza intelectual que vaga pelo mundo virtual é imensa. Dá vontade de fazer tudo nosso. E podemos, o que é mais interessante. Por isso, aqui, admitindo minha incapacidade de escrever um texto melhor, com tantos argumentos, tantos númeiros significativos, posto trabalho de Celso Barros, sociólogo carioca. Por que ele vai votar em Dilma, em grande parte é também o meu por quê.

Talvez pudéssemos acrescentar, só a titulo de diferenciação e para agregar (o que é, de longe, desnecessário) que Dilma tem espinha dorsal. José Serra, vê-se, é de se duvidar. Porque um homem de oposição não faz o que ele faz; aua falta de ética, sua desonradez o desqualifica por completo para a grandiosa tarefa que é representar o Brasil perante o mundo e mais, representar o Brasil perante sua própria gente.

O texto é longo mas vale à pena.

"Os três principais candidatos nessa eleição presidencial são muito bons. A terceira colocada deve ser Marina Silva, e Marina Silva seria melhor presidente que 90% dos presidentes do mundo. Levando em conta só os competitivos, nos últimos dezesseis anos só Garotinho (que a The Economist traduzia como “Little Kid”) avacalhou nosso currículo, onde, na minha modesta opinião, devemos ter orgulho de ostentar Lula e FHC.

Mas é preciso escolher, e, no que se segue, argumentarei que a melhor opção para o Brasil no momento é uma ex-guerrilheira nerd.

1.
Um bom governo, na minha opinião, deve (a) ser democrático, (b) não avacalhar a estabilidade econômica, e (c) combater a pobreza e a desigualdade. Por esses critérios, o governo Lula foi indiscutivelmente bom.

O governo Lula, tanto quanto o governo FHC, foi um governo democrático. Quem lê jornal no Brasil não apenas percebe que é permitido falar mal do governo, mas pode mesmo ser desculpado por suspeitar que falar mal do governo é obrigatório por lei. Os partidos de oposição atuam com plena liberdade, os movimentos sociais, idem, e, aliás, eu também. O Olavo de Carvalho se mandou para os Estados Unidos, dizem que com medo de ser perseguido politicamente, mas, se tiver sido por isso, foi só frescura. De qualquer modo, nunca antes nesse país exportamos tantos Olavos de Carvalho.

A economia foi muito bem gerida durante a Era Lula, a despeito do que falam muitos petistas (talvez preocupados com a falta de oposição competente). Companheiros, deixemos de falar besteira: a política econômica foi um sucesso. Mantivemos o bom sistema de metas de inflação implantado por Armínio Fraga no (bom) segundo governo FHC, e acrescentamos a isso: uma preocupação quase obsessiva por acumular reservas internacionais, a excelente ideia de comprar de volta nossa dívida em dólar, e medidas de incentivo fiscal quando foi necessário. A dívida como proporção do PIB caiu consideravelmente, e só voltou a subir quando foi necessário combater a crise. Certamente voltará a cair já agora.

Por essas e outras, fomos os últimos a entrar e os primeiros a sair da maior crise econômica desde 1929. Os tucanos se consideravam uma espécie de Keynes coletivo por terem sobrevivido à crise do México. Com muito menos custo, sobrevivemos à crise dos EUA. E isso se deu porque a economia durante a Era Lula foi muito mais bem administrada do que durante o primeiro governo FHC. No segundo governo FHC, aí sim, a economia foi bem gerida, e Lula fez muito bem em copiar seus métodos de gestão.

E, na área social, o Lula realmente se destaca na história brasileira, e na conjuntura econômica mundial. FHC não merece nada além de parabéns por ter copiado o Bolsa-Escola do governo petista do Distrito Federal (cujo governador havia idealizado o programa ainda na década de 80), e o PT merece críticas por ter atrasado sua adoção insistindo no confuso “Fome Zero” por tempo demais; mas, uma vez re-estabelecida a sanidade, o programa foi implementado com imenso sucesso, e, associado à política de recuperação do salário mínimo, e à boa gestão da economia, geraram resultados que não estavam nas projeções do mais otimista dos petistas em 2002. Para ser honesto, eu sempre votei no Lula, mas nunca achei que fosse dar tão certo.

A pobreza caiu algo como 43%. Vou dizer com palavras, para não dizerem que sou cabeça-de-planilha: a pobreza no Brasil caiu quase pela metade. Rodrigo Maia, escreva essa frase no quadro cem vezes. Mais de 30 milhões de pessoas (meia França, não muito menos que uma Argentina inteira) subiram às classes ABC. Cortamos a pobreza extrema pela metade (mas ainda é, claro, vergonhoso que tenhamos pobreza extrema). A desigualdade de renda caiu consideravelmente: a renda dos 10% mais ricos cresceu à taxa de 3 e poucos % na Era Lula, enquanto a renda dos mais pobres cresceu mais ou menos 10% ao ano, as famosas taxas chinesas. E tem uns manés que acham que os pobres votam no Lula porque são ignorantes ou mais tolerantes com a corrupção. Dê essas taxas à nossa elite e o Leblon inteiro tatua a cara do Zé Dirceu.

Não é à toa que o economista Marcelo Neri, um dos mais respeitados estudiosos da pobreza no Brasil, fala no período de 2003-2010 como “A Pequena Grande Década”. Tanto quanto sei, Neri não é petista.

Por outro lado, há algumas semanas, o sociólogo Demétrio Magnoli escreveu um balanço crítico do governo Lula, que considera um desastre. O artigo praticamente não tem nenhum número. I rest my case.

2.
Seria idiota dizer que isso não é, em nenhum grau, motivo para votar na Dilma. Dilma participou ativamente disso tudo, e, no mínimo, apoiou isso tudo. Marina Silva, é verdade, apoiou quase tudo isso. José Serra não o fez, e muitos de seus simpatizantes continuam convictos de que os últimos oito anos, em que a renda dos brasileiros mais pobres cresceu no ritmo da economia chinesa, foi uma era das trevas da qual a nossa elite bem pensante (hehehe) acordará em breve, chorando de felicidade porque era só um pesadelo.

Mas, até aí, eu considero que a Era FHC também foi boa para o país, por outros motivos, e mesmo assim foi bom que Lula fosse eleito em 2002 (como irrefutavelmente provado acima). Por que não seria esse o caso, agora?

Em primeiro lugar, porque não acho que será bom para o Brasil se o governo Lula tiver sido só um intervalo. Se Serra ganhar a eleição, eis o que se tornará a versão oficial sobre esse período: uns caras com diploma governavam muito bem o Brasil por muitas décadas, aí surgiu um paraíba muito carismático que acabou % ganhando a eleição, mas não fez nada demais, por isso eventualmente a turma do diploma retomou o controle da coisa toda. Coloquei um sinal de porcentagem no meio da frase para que ela tivesse pelo menos um erro que não fosse também papo furado.

É importante compreender que os novos atores que compõem o PT vieram para ficar, pois são sócios-fundadores de nossa democracia, e que, de agora em diante, o Brasil é um país com uma esquerda que sabe ser governo. Isso quer dizer que agora a direita, para vencer eleições, precisa apresentar boas candidaturas (de preferência sem roubar nossos sociólogos, ou economistas heterodoxos) e, o mais crucial de tudo, apresentar propostas para os mais pobres, que acabam de descobrir que podem melhorar imensamente suas vidas com o voto. A direita brasileira ainda não fez esse trabalho: continua pensando como se fosse um direito natural seu governar o país, e esperando que algum movimento legitimista re-estabeleça a ordem nesta bodega.

Enquanto a justiça eleitoral não fizer o voto do Reinaldo Azevedo ter peso 50 milhões, a estratégia de fingir que o governo Lula não desmoralizou os anteriores, diminuindo a pobreza sem desestabilizar a economia, não vai ganhar eleição. Enquanto não tiver um projeto para o país (o que, diga-se, o Plano Real foi), a oposição não merece voltar ao governo. Como o PT dos anos 90, por exemplo, não merecia ganhar a presidência, pois seu programa era o que, no jargão sociológico, era conhecido como “nhenhenhém”. O PT venceu quando reconheceu que o papo agora era outro, e era preciso partir das conquistas já alcançadas. Não há sinal que consciência semelhante exista na oposição como bloco político, embora, sem dúvida, o candidato Serra o tenha compreendido.

3.
Mas esse tampouco é o melhor motivo para se votar na Dilma. O melhor motivo para se votar na Dilma é a Dilma.

Dilma tem uma trajetória política muito singular, como, aliás, tinham FHC e Lula. Quem tiver lido seu perfil recente na revista Piauí pode notar que há tantos fatos interessantes na sua vida que o jornalista mal teve espaço para falar dela, como pessoa. Dilma foi guerrilheira, foi torturada, e, durante a democratização, entrou para o PDT. Quando visitou, recentemente, o túmulo de Tancredo, a turma de sempre reclamou que o PT não o havia apoiado no Colégio Eleitoral. Bem, Dilma, como o PDT, apoiou Tancredo. Eventualmente, foi parar no PT, onde cresceu fulminantemente, e foi beneficiada pela decisão da oposição de queimar um por um dos quadros petistas mais famosos, algo pelo que, suspeito, já começam agora a se arrepender. Estariam pior agora se o candidato do Lula fosse, digamos, o Dirceu?

Tem gente que, com temor ou esperança, acha que Dilma mudará o rumo da economia. Eu posso estar errado, mas, baseado no que vi até agora, acho o seguinte: Dilma está singularmente posicionada para fazer com que, sob essa mesma política econômica, e com o mesmo compromisso com a justiça social, o país comece a crescer bem mais rápido do que cresceu nos últimos dezesseis anos.

Eu gosto de dizer o seguinte sobre política econômica: é verdade, o Banco Central desacelera o crescimento quando mantém os juros altos (e segura a inflação). Mas, a essa altura, o crescimento econômico já levou uma surra; antes de chegar no Banco Central, o carro do crescimento já tomou batidas da nossa falta de política de inovação, da baixíssima capacidade de investimento do Estado, da pobreza (que diminuiu, mas, para nossa vergonha, ainda está aí), do nosso abissal nível de qualificação educacional, dos entraves inacreditáveis para se abrir ou fechar um negócio, dos problemas gravíssimos da nossa urbanização. Essa desacelerada que o Banco Central dá é porque, depois de tomar tanta batida, ou nosso carro desacelera ou ele desmonta na pista.

Nossa visão deve ser a seguinte: queremos ter produção tecnológica como a Índia, mas com muito mais preocupação com a justiça social, e queremos ter o crescimento da China, mas com a mais absoluta democracia e com as garantias ambientais necessárias. Se esses limites nos atrasarem um pouco, paciência, somos, em nossos melhores momentos, um país que leva essas coisas a sério. O que não é admissível é que qualquer coisa que não nossos princípios atrase nosso progresso.

Muita gente diz que Lula entregou a candidatura à Dilma de mão-beijada, mas, aproveito para advertir, muita calma nessa hora, meu povo. Lula também lhe entregou uma roubada incrível, que foi também um teste. Quando Dilma foi colocada na direção do PAC, experimentou em primeira mão o quão ineficiente é nosso Estado como indutor do investimento: uma legião de entraves burocráticos, pressões políticas e uma história de más prioridades tornaram nosso Estado incapaz de investir e de oferecer infra-estrutura (tanto física quanto legal quanto humana) para o investimento privado.

A beleza da coisa é que Dilma é uma c.d.f. obcecada por políticas públicas. Quem leu sua entrevista no livro organizado pelo Marco Aurélio Garcia e pelo Emir Sader não pode ter deixado de se divertir com a diferença entre as coisas que os entrevistadores querem perguntar e as coisas que ela quer responder: os caras lá falando do liberalismo, de não sei o que mais, e ela animadona com um jeito de furar poço de petróleo, com um jeito qualquer de administrar hospital. Respeito muito o Marco Aurélio, que foi meu professor, mas a Dilma sai da entrevista muito melhor que ele e o Sader.

Me anima especialmente que, em vários momentos, tenha visto Dilma puxando o assunto das políticas de inovação. O Brasil não vai dar um salto qualitativo em termos de desenvolvimento enquanto não produzir tecnologia. Tecnologia é o tipo de coisa que depende de bons arranjos entre governo e setor privado, e, a crer nos relatos até agora a respeito de sua passagem pelo ministério de Minas e Energia, Dilma tem uma postura pragmática saudável nessas questões.

Lula deu ao capitalismo brasileiro milhões de novos consumidores, e essa descendência política exigirá de Dilma compromisso forte com a inclusão social. Mas agora é hora de dar ao capitalismo brasileiro a competitividade necessária para que ele gere os empregos de que precisam os novos ex-miseráveis, os formandos do ProUni, ou das novas Universidades Federais, inclusive; é hora de montar um Estado que entregue aos cidadãos as cidades necessárias à boa fruição da vida moderna, e montar um sistema de inovação tecnológica que tire da direita o monopólio do discurso moderno.

Por conhecer melhor do que ninguém o tamanho desse déficit, e pelo que se depreende de sua postura até agora diante desses problemas, Dilma Rousseff é a melhor opção para a presidência do Brasil nos próximos oito anos.

Até porque, contará com um recurso que só o PT tem: uma imprensa tão hostil que o sujeito realmente, realmente tem que prestar atenção para não fazer besteira. Superego é uma coisa útil, senão você trava.

4.
Certo, mas deve ter gente pensando, ah, mas ela é só uma tecnocrata, vai ser engolida pelos políticos (o bom é que essa mesma turma dizia que o Lula, por não ser um tecnocrata, ia ser engolido pelos políticos). Deve ter gente, à direita e à esquerda, com esperança de manipular a Dilma. A Dilma, no caso, é aquela menina que, aos vinte e poucos anos, inspirava respeito até nos caras do Doi-Codi, como se depreende dos documentos da época. Se quiser ir tentar manipular essa dona aí, rapaz, boa sorte, vai lá. Depois você conta pra gente como é que foi.

* Celso Barros, Rio de Janeiro-RJ, é mestre em Sociologia pela Unicamp e doutor em Sociologia por Oxford. Blog: napraticaateoriaeoutra.org

 


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Quinta-Feira, 19 de Agosto de 2010

Glória do Desporto Nacional

Agora que a taça Libertadores está no armário, que Celso Roth tirou a touca, mostrando que é capaz de consertar um time no vestiário, restou a festa nas ruas de Montenegro. No fim do ano tem mais!

 


Terça-Feira, 17 de Agosto de 2010

Enfim, a Dignidade!

Este primeiro programa da canditata Dilma Roussef à presidência não é simplesmente um vídeo. É uma prestação de contas. É um desabafo sóbrio e poético contra a fúria animal de uma direita doente que não consegue ver que não entregar o dinheiro dos brasileiros para sacanas pode ser um projeto de vida; pode ser algo que valha a vida.

Do pau de arara ao coração dos brasileiros; da tortura nas celas sem direitos da Ditadura Militar ao respeito dos brasileiros dignos. Eis a trajetória de Dilma. No mais das vezes, quem apanha numa cadeia, quem é humilhado por governos ilegítimos, abandona seus sonhos na primeira oportunidade. Não foi o caso de Dilma que, mesmo depois de ter passado o que passou, voltou ainda melhor. Na frase antológica de Nietszche: "Quem não me matar, me tornará mais forte". Foi o que os brucutus da ARENA fizeram com ela.

Agora ela esta prestes a representar o que há de melhor da personalidade, da inteligência e da sensibilidade de um povo, de uma nação que começou a romper seus grilhões com as oligarquias medievais a partir de governo Lula. A História é um pé adiante. Dilma nos dará um solo para pisar.

Será destratada daqui em diante mais do que já foi. Tentarão transformar em mácula o que foi virtude. Em fraqueza, o que foi força. Desprezarão sua dignidade em favor de legitimar os governos militares. Legítimos é que não eram!

Legítima é ela! É de Dilma a personalidade verdadeira. E é essa personalidade, essa dignidade que apontaremos como nossas em outubro. Nós queremos que essas virtudes representem o povo brasileiro. Votar em Dilma Roussef é a forma de tornar essa idéia realidade.


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Domingo, 15 de Agosto de 2010

Feira do Livro de Montenegro

Na semana que passou foi lançada a 8ª Feira do Livro de Montenegro que ocorrerá de 5 a 9 de outubro de 2010. Maiores detalhes você pode encontrar no blog da Biblioteca Pública de Montenegro. O Patrono da Feira será o escritor montenegrino Djacyr Alves autor de O Lanceiro e que acaba de conceder ao blog a entrevista abaixo. Legal saber que o Patrono também lançará livro na Feira. Seremos dois.

Blog: Em primeiro lugar, o blog o felicita pela escolha ao patronato da Feira do Livro de Montenegro. Qual a importância para senhor desse evento cultural chamado Feira do Livro? Que oportunidades para escritores e para leitura ela pode abrir?
 
Djacyr: Digo que a importância está no despertar da consciência do cidadão (que sempre se diz apressado e preocupado com tantas coisas), para a área inerente ao progresso e desenvolvimento da pessoa: a cultura. Aos escritores entendo que oportuniza uma vitrine para quem não dispõe de outros meios de divulgação de seu trabalho e que atinja tantos em tão pouco tempo. A leitura: esta não tem dimensão, ali está tudo ao alcance de todos. É só querer, e às vezes, um pouco de paciência no pesquisar.
 
Blog: E em que o patrono, ou esta instiutição Patrono de uma Feira do Livro, pode contribuir para aumentar a eficiência destes objetivos?
 
Djacyr: O Patrono pouco pode aumentar a projeção e desenvolvimento da Feira, pois é uma pessoa que naquele momento representa algo (a literatura). Já a instituição Patrono da Feira, é que detém todo o poder para promover (contatos/poderes, etc) e fazer ressoar a promoção na população.
 
Blog: Como o senhor vê a ideia de que a Feira poderia ocorrer o ano inteiro - e que abarcasse além de escolas, outras instituições - e que a semana da Feira na praça fosse apenas um ponto culminante onde todos os projetos desaguassem?
 
Djacyr: Quanto a ocorrer durante todo o ano, não entendo como divulgadora de sua missão, mas sim, se coordenasse todas as promoções a respeito da finalidade, ou seja, as promoções individuais nas escolas devia contar com o patronato, para ir incutindo, mais e mais, entre os jovens o universo sem limites da cultura e conhecimento.
 
Blog: Como tem visto a evolução (se é que há evolução) da literatura feita em Montenegro?
 
Djacyr: A literatura, como um todo, é pobre em nossa cidade, como via de regra o é, em qualquer lugar, mas se considerarmos o passado em Montenegro, temos que aceitar e acreditar que houve e há evolução, embora às custas de abnegados que lutam por levar em frente tal desiderato.
 
Blog: O senhor também é presidente do Conselho Municipal de Cultura. Cite algumas atuações importantes do Conselho para a cultura montenegrina na sua gestão.
 
Djacyr: O Conselho de Cultura apenas neste ano passou a ter a função de deliberativa, normativa, fiscalizadora e consultiva na área da atividade cultural em Montenegro, pois anteriormente apenas examinava pedidos de auxílio (verba) para algum evento, e via se o mesmo atingiria o alvo pretendido pelo solicitante.
 
Blog: O Fundesc, o novo Fundo de desenvolvimento da Cultura, implantado pela Administração Municipal tem trazido grandes decepções aos artistas montenegrinos. Por que ele é tão diferente do Fumprocultura, que funcionava? O que do Fundesc não funciona?
 
Djacyr: O Fundesc foi criado por lei, e como tal, deve se normatizar pela administração da Coisa Pública. P. ex: o pretendente deve estar inscrito na Prefeitura Municipal com atividade pertinente, e mais outras exigências legais, para exemplificar, certidões negativas da Receita Municipal, Estadual e Federal, etc. A decepção ocorre por que, via de regra, os proponentes, como as pessoas no geral, não lêem a lei, apenas aquilo que os interessa diretamente, portanto, a obra estando aprovada, nem sempre o proponente receberá o pedido, pois para tanto tem que cumprir os requisitos legais. Devo salientar de que se trata de dinheiro público, e ao mesmo é que compete provar sua condição de habilitado. Já o Fumprocultura funcionava de outra forma, ou seja, quem recebia e prestava contas era a Fundarte, que era a responsável pela prestação de contas junto a Fazenda Municipal, o que é bem diferente da pessoa física ou jurídica, como acima já dissemos.
 
 Blog: O patrono está produzindo novo livro? Vai lançá-lo na Feira? O que pode adiantar para os leitores do blog?
 
Djacyr: Estou sim com novo livro pronto. A idéia e lançá-lo na Feira, se todas as tratativas até agora mantidas se confirmarem. Posso dizer que é uma obra de pura ficção, ou seja, um romance, e que espero agrade aos leitores. Por fim, obrigado pela oportunidade de poder explanar algo sobre o Fundesc, a Feira, e meu lançamento.

Sexta-Feira, 13 de Agosto de 2010

Onde está Deus?

Há alguns dias ouvi a história de que um professor de escola referencial da cidade teria feito o seguinte comentário em sala de aula: Quem sabe os ET’s pudessem ter filmado o big-bang. Questionado pelos alunos que antes do big-bang sequer haveria ET’s, caiu o pano rápido e o constrangimento tomou conta da sala.
Professores despreparados infestarem as escolas do mundo não é nenhuma novidade nem o fim do mundo. Eu tive cada um...
 
Mas, como subsídio àqueles que porventura queiram ver o início de tudo, ET’s terráqueos resolveram “filmar” de um jeito muito seu o começo de tudo.
O que nos leva ao questionamento sobre como o nada que somos no cosmos possa representar algum sentido. A não ser a única hipótese possível: O sentido de tudo está em ainda construirmos um.
 
Afora isso, não há nada que faça da vida humana algo importante para a natureza ou para o universo. Ou para os próprios humanos. Desde os suplícios que o rei Assírio Assurnasirpal II (885-859 AC) infligia aos vencidos conforme relato no livro Histórias dentro da História de Sérgio Faraco:
“(...) O sofrimento dos vencidos, que torturava, importava-lhe menos que formigas esmagadas. Seu procedimento habitual era queimar as cidades hostis e mutilar todos os prisioneiros, cortando-lhes as mãos e as orelhas e lhes arrancando os olhos. Amontoava-os em grandes pilhas para que morressem supliciados pelo sol, pelas moscas, pelas ferida. As crianças, meninos e meninas, eram queimadas vivas em postes.”
 
Até os assassinatos políticos de Chile e da Argentina nos anos setenta e este recentíssimo massacre protagonizado pelo governo de Álvaro Uribe na Colômbia conforme as valas comuns com 2000 mortos sem nome que você pode conferir aqui: http://rsurgente.opsblog.org/2010/08/12/imprensa-brasileira-silencia-sobre-fossa-com-milhares-de-corpos-na-colombia/

Agora veja o vídeo e procure. Onde Ele está ou não está? Onde o sentido de tudo?

E aí? Achou? Seu lugar na poeira entre o nada e o lugar nenhum, achou? Viu o tamanho do troço para o qual temos que dar um sentido? Viu só que beleza termos que dar um sentido para o que só tem a animalidade da leis da natureza como regra? Como vamos humanizar tudo isso é a grande pergunta. O resto é a pueril sujeição ao desaparecimento.


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Segunda-Feira, 02 de Agosto de 2010

Enfim, a Praça Ruy Barbosa

Pois a nossa praça está quase. Não ficou assim uma brastemp, como poderia querer um espírito mais exigente. Nenhuma ousadia arquitetônica (se é que houve arquiteto); ou paisagística (se é que houve paisagista); nenhum desenho que não fosse previsível; nenhuma melhora que nos arrancasse um “Oh!” admirado da garganta. Menos árvores, um banheiro novo, um espaço mais arejado e só! Se houve planejamento, nunca saberemos. Para o tempo que levaram, ficou bem pobre. Como um deboche em cima do cidadão sem instituições sérias que o defendam do absolutismo da nossa “Democracia sem responsabilidade”. Como esses governichos municipais das grotas brasileiras em que não há compromisso com mudanças das estruturas políticas, sociais ou culturais. Há só a busca do salário no fim do mês, sem compromissos, sem a vontade de marcar a História de sua época com feitos relevantes.

Sorte que aqui não é assim e logo veremos ações que justificarão tudo que nos parece amador, vazio e sem sentido.

 

Como disse uma senhora no domingo quando eu fotografava: Bah, nenhum um laguinho com peixes coloridos. Uma pontezinha de madeira. Ponderei que a grana talvez estivesse curta. Ela só sorriu. Eu também. Maldade compartilhada nas entrelinhas de um sorriso. Fazer o quê? C'est la vie!!!!
 
De qualquer forma, está aí a praça Rui Barbosa, que faz parte de nossa história, como você pode ver no link http://www.pedrostiehl.com.br/?pag=blog&post=60 entre outros neste site.

Então nos resta tomá-la de assalto. Que ela seja da comunidade. E como se faz isso? De muitas maneiras. Uma delas é acabando com a inércia do poder público que tem a obrigação de propiciar eventos que agregue o povo à sua praça. Retretas aos sábados com bandas, briques, espaço para músicos locais, teatro, corais. Na suposta Cidade das Artes, falta chamar o povo até ela. É de se pensar e ver.

Vamos ter a Feira do Livro de Montenegro, em outubro, na praça. O que é por si só muito importante. Mas tão importante quanto é evitar que a ociosidade deste espaço permita sua marginalização. É preciso inventar compromissos seguidos para ela. Vai se gastar dinheiro com isso? É claro! Sociedade tem custo. Viver em sociedade e não permitir que o medievalismo tome conta dos espaços da comunidade tem custo. Onde se impõem as instituições civilizadas, a incivilização se recolhe e vai procurar outro espaço para sua injustiça.

Enfim, é preciso mostrar à sociedade que pagar tais custos é muito mais vantajoso para ela, sociedade, do que não pagar. É muito melhor pagar os custos da democracia, por pior que ela seja, do que pagar o custos da bárbarie do fascismo e das ditaduras. Uma praça, com o povo nela, com a cultura cultivada nela, representa esta filosofia também. É só pensar um pouco adiante do nariz. É fácil. É só pensar no futuro. Na possibilidade de haver futuro, quero dizer.

Há quem condene tranformar tudo num discurso político. Mas creio ser esta a fundamental estratégia de qualquer pessoa. Transformar a sua vida num enorme e único discurso político. Porque é por onde nos governam. Desde o nosso dinheiro até o nosso prazer. Daí que a praça Ruy Barbosa, à sua maneira, é também um discurso político de todo montengrino responsável.


Marcadores: Praça Ruy Barbosa

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